7. GUIA 13.3.13

1. GENTE GRANDE TAMBM PRECISA DE VACINA
2. TURISTAS IMUNES
3. O QUE VEM POR A
4. ARMA MAIS SEGURA CONTRA A PLIO

1. GENTE GRANDE TAMBM PRECISA DE VACINA
ENGANA-SE QUEM PENSA QUE A ROTINA DE VACINAS TERMINA NA INFNCIA. HOJE  CONSENSO ENTRE OS ESPECIALISTAS QUE TAMBM OS ADOLESCENTES E OS ADULTOS TM DE MANTER A CARTEIRA DE VACINAO EM DIA.

     Para algumas doenas, a proteo tem prazo de validade  da a necessidade do reforo. "Depois de dez anos, o sistema imunolgico deixa de produzir anticorpos em quantidade suficiente para evitar doenas como a febre amarela e o ttano, por exemplo", diz Gustavo Johanson, infectologista da Universidade Federal de So Paulo. O recente aumento da incidncia de coqueluche no Brasil e a descoberta de casos da doena em pessoas j imunizadas levaram ao desenvolvimento da verso da vacina para adultos. H ainda as imunizaes que devem ser feitas a partir da adolescncia.  o caso da vacina contra o vrus HPV, que  a principal causa de cncer de colo do tero  o segundo tumor mais frequente na populao feminina. Veja, a seguir, como manter atualizada a vacinao ao longo da vida.

COQUELUCHE
De quinze anos para c, os especialistas passaram a recomendar uma dose na vida adulta da vacina que protege contra essa doena infecciosa altamente contagiosa. Mesmo quem foi imunizado na infncia deve tom-la: descobriram-se no pas vrios casos de pacientes que contraram a doena apesar de terem recebido a vacina quando criana. "A coqueluche no oferece riscos expressivos aos adultos, mas eles so fonte de contaminao para os bebs que ainda no esto imunizados. No primeiro ano de vida, a coqueluche  perigosa e pode matar", alerta o pediatra Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizaes (Sbim). A vacina para adultos difere da ministrada em crianas. Uma nica dose da trplice acelular tipo adulto (dTpa), que tambm protege contra a difteria e o ttano, ajuda a prevenira doena.

DIFTERIA E TTANO
O reforo da vacina dupla tipo adulto (dT) deve ser feito a cada dez anos. A difteria  uma doena infecciosa transmitida pelas gotculas de saliva eliminadas com a tosse, os espirros e a fala, e pode levar  insuficincia respiratria. O ttano tem taxa de mortalidade elevada, e um simples corte pode causar a contaminao. Ao contrrio do que diz o senso comum, alis, o objeto cortante no precisa estar velho ou enferrujado para transmitir o bacilo.

FEBRE AMARELA
Moradores das regies Norte e Centro-Oeste, de grande parte do Sul e Sudeste e de algumas cidades do Nordeste (ou seja, de quase todo o pas) devem repetir a vacina contra a febre amarela a cada dez anos. O vrus da doena  transmitido por picada de mosquito e a taxa de mortalidade chega perto de 50%.

HEPATITE B
Como as campanhas de vacinao infantis so recentes, deve ser imunizado quem no tomou a vacina (ou no tem certeza se tomou) contra esse vrus, transmitido pelo sangue e pelas relaes sexuais. A doena provoca leses no fgado que podem evoluir para cirrose ou cncer. A transmisso  insidiosa: manicures e podlogos, por exemplo, podem ser contaminados, ou infectar clientes, com material esterilizado de forma inadequada. (Como essa  uma forma de transmisso comum tambm da hepatite C, para a qual no h vacina, o ideal  que os fregueses dos sales tenham sempre os prprios alicates, pazinhas, palitinhos e at esmalte.) Trs doses da vacina, com intervalo de um ms entre a primeira e a segunda e de cinco meses entre a segunda e a terceira, previnem contra a doena.

GRIPE
A vacina requer doses anuais por dois motivos: o vrus influenza sofre mutaes constantes e os anticorpos produzidos pela vacina duram, em geral, no mais que um ano. A imunizao  indicada para todas as faixas etrias, mas entre os idosos ela  essencial: reduz em 80% o risco de morte por gripe na populao acima de 60 anos, que tem o sistema imunolgico enfraquecido. Portadores de doenas crnicas, tenham a idade que tiverem, tambm devem receber a vacina.

HPV
A transmisso dos quatro tipos do papilomavrus humano (HPV), uma das principais causas do cncer de colo do tero, ocorre via relao sexual. Nos homens, o risco  de cncer no pnis e verrugas genitais. Portanto, as trs doses, que protegem contra quatro tipos de vrus, devem ser ministradas, de preferncia, por volta dos 11 anos de idade, com intervalo de um ms entre a primeira e a segunda e de cinco meses entre a segunda e a terceira. Depois disso, a preveno ainda  vantajosa. "Mesmo quem j foi infectado pode se beneficiar, pois fica protegido contra os outros tipos do vrus", diz a infectologista Karina Miyaji, responsvel pelo Ambulatrio dos Viajantes do Hospital das Clnicas, em So Paulo. A rede pblica no oferece a vacina e o preo  salgado: cada aplicao custa cerca de 400 reais .

PNEUMONIA
As duas doses da pneumoccica 23-valente, com intervalo de cinco anos, so recomendadas a toda a populao com mais de 60 anos e, em qualquer idade, aos cardiopatas, diabticos e portadores de doenas pulmonares. "Esses grupos tm maior risco de contrair a pneumonia com complicaes que podem levar  morte", diz o infectologista Gustavo Johanson 

E quem no sabe se foi imunizado?
Quem est em dvida deve procurar um posto de sade ou clnica particular para tomar as vacinas. "A vacina no oferece riscos  sade. Os anticorpos de quem j foi imunizado podem, no mximo, inativar o vrus da vacina e torn-la intil", diz Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Albert Einstein, em So Paulo. No sabe se tomou a vacina contra sarampo, caxumba e rubola na infncia? Uma nica dose da trplice viral resolve o problema. O mesmo vale para quem nunca teve varicela (catapora).

Combinao de vacinas
 permitida, sem riscos. Os especialistas fazem uma nica recomendao: as vacinas desenvolvidas a partir do vrus vivo, caso da trplice viral, da varicela e da febre amarela, devem ser ministradas no mesmo dia ou com intervalo de trinta dias, tempo de que o organismo precisa para se recuperar totalmente da vacinao. Ou seja, ou o corpo desencadeia a produo de anticorpos no mesmo dia ou  preciso esperar que o sistema imunolgico se recupere nos trinta dias seguintes  aplicao de uma vacina para receber outra.

Onde encontrar
Nem todas so oferecidas gratuitamente pela rede pblica de sade. A dT, a trplice viral, a da febre amarela e a da hepatite B, alm das que fazem parte de campanhas anuais como a da gripe e a da pneumonia, esto disponveis para toda a populao ou apenas para grupos de risco, dependendo da vacina. Na rede particular, a oferta  maior. Em hospitais e clnicas particulares, esto disponveis, alm das citadas, as vacinas contra HPV, dTpa e hepatite A. Neste ano, o Ministrio da Sade pretende imunizar gestantes contra a coqueluche 


2. TURISTAS IMUNES
Alm de contratar o seguro-viagem, que cobre eventuais gastos com sade durante as frias, o turista deve ficar atento s recomendaes ou a obrigatoriedade de vacinao quando viaja pelo pas ou para o exterior. "As vacinas costumam demorar de dez a quinze dias para proteger, por isso  preciso tom-las com antecedncia", explica a infectologista Karina Miyaji, responsvel pelo Ambulatrio dos Viajantes do Hospital das Clnicas, em So Paulo. Doenas que esto sob controle no Brasil voltaram a ser motivo de preocupao at mesmo em pases desenvolvidos. Veja, a seguir, as principais vacinas para quem viaja. Mais informaes esto disponveis no site www.anvisa.gov.br/viajante. 

Febre amarela: quem visita zonas de florestas e cerrados deve tomar a vacina antes da viagem para se prevenir da doena transmitida por picada de mosquito. Grande parte do territrio brasileiro e alguns pases da Amrica do Sul, Amrica Central e frica so considerados reas de risco

Sarampo: desde 2011, uma epidemia de sarampo na Europa explica a recomendao aos viajantes ainda no imunizados (e queles que no tm certeza) para que tomem a vacina trplice viral antes de embarcar para pases europeus.

Hepatite A: quem viaja para locais onde a incidncia de hepatite A  elevada, como determinadas regies da Amrica Latina, frica Subsaariana e Sudeste Asitico, deve tomar a vacina quinze dias antes de embarcar. Nas viagens decididas em cima da hora, o viajante pode se prevenir com imunoglobulina, que contm anticorpo  prontos (na vacina, o vrus estimula o organismo a produzi-los). Mas sua ao tem tempo limitado: protege por apenas um ms.

Meningite: a vacina  indispensvel para quem vai para a regio conhecida como Cinturo da Meningite, na frica, que corta o continente do Senegal  Etipia. A doena  contagiosa e potencialmente letal.


3. O QUE VEM POR A
Graas aos avanos na medicina preventiva, a imunizao contra males para os quais ainda no h vacina est cada vez mais prxima. At o ano que vem, a guerra contra duas doenas que preocupam os brasileiros deve ganhar novas armas.

Dengue: a vacina mais promissora foi desenvolvida pelo laboratrio francs Sanofi Pasteur e est em fase final de testes. "Ela mostrou-se eficaz contra trs dos quatro tipos de vrus causadores da doena", diz Renato Kfouri, presidente da Associao Brasileira de Imunizaes. Tudo indica que a vacina seja lanada em 2014.

Meningite B: em janeiro deste ano, o laboratrio Novartis obteve a aprovao da EMA, a agncia europeia de medicamentos, para a primeira vacina contra o meningococo B, responsvel por 20% a 30% dos casos de meningite no Brasil. Em processo de anlise pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa), a vacina deve ser lanada por aqui ainda este ano.


4. ARMA MAIS SEGURA CONTRA A PLIO
O esquema de vacinao infantil contra a poliomielite mudou. At o ano passado, a vacina era oral  a clebre gotinha, em trs doses separadas. Como essa imunizao  feita a partir do vrus vivo atenuado, a possibilidade, mesmo que rarssima, de a criana contrair a doena por meio da vacina levou o Ministrio da Sade a alterar o procedimento. Agora, as duas primeiras doses so feitas com a forma inativada do vrus e administradas por injeo intramuscular. A mudana, que entrou em vigor no segundo semestre do ano passado, garante mais segurana e eficcia no combate  paralisia infantil. "Dessa maneira, o organismo tem tempo de produzir anticorpos e proteger a criana at que ela receba a dose oral da vacina, com o vrus vivo", explica Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Albert Einstein, em So Paulo.


